terça-feira, 18 de outubro de 2011

Caminhando nos trilhos de Araçatuba


Cheguei a Araçatuba aos dezessete anos, na flor da idade e graças dou por ter chegado a tempo de sentir de perto a emoção e a sensação de liberdade, apesar dos perigos.
Sei o quanto é dolorida a saudade de um tempo que não volta mais. As estrelas do céu permanecem a brilhar, assim como a felicidade em minha mente e coração por ter vivido e ter feito parte da minha cidade que amo tanto. Não joguei meus sonhos para o alto.
Brincava a todo instante, mas não me distraia, estava atenta e sabia que, apesar de estar tão feliz, via que as coisas mudariam, não por estarem erradas, mas porque algumas coisas têm que deixar de existir para nascerem outras. Por mais que amemos algo, a busca pelo melhor é preciso. O que dá para se guardar, se guarda, mas infelizmente há situações inevitáveis. Por muitos objetos temos imensa consideração e zelo, pois fazem, ou fizeram, parte de nossa vida, mas um dia desaparecem e alguns sem deixar rastros.
Antigamente não havia tanto recurso para registrar e restaurar obras deterioradas pelo tempo. E eram radicalmente destruídas. Nos dias atuais temos meios, e com total ajuda da tecnologia, que nos poupa tempo e dinheiro. Podemos salvar imensas relíquias, mas é claro que todos devem ser conscientizados que tudo faz parte de sua própria historia.
Como seres humanos, erramos a todo instante, e muitas vezes a memória falha. Homens que crescem e quebram seus antigos brinquedos, guardados com tanto carinho pelos seus pais, desfazendo e mal dizendo aquilo que tanto fez sua alegria, por exemplo.
Caminhando pelos trilhos de Araçatuba, com o vento batendo em meu rosto, balançando meus cabelos, pude ir além do que eu podia imaginar e descobri naquele momento tão mágico que vou continuar em busca da realização dos meus objetivos.
E sempre vou gritar aos quatro ventos que sou sempre mais você, Araçatuba. Senti sua alegria e seu amor por mim, mãe de coração, que até hoje recordo do meu nascimento. Ao ver-me, abriu os braços e sorriu para mim. Na entrada da Avenida Brasília, gritei: ‘Araçatuba, cidade dos meus sonhos’. Neste exato momento, vinte e quatro anos depois, minha alma explodindo de felicidade e realização, me obriga compartilhar.
Hoje, caminhando nos trilhos da imaginação, vem a lembrança nítida de vários episódios reais nos trilhos de Araçatuba, até meus pés ficaram firmes e minhas mãos tocando a realidade tão bem vivida e que será mesmo inesquecível. Dentro de mim fica uma lembrança saudável, porque sempre segue comigo o abraço e espaço para receber o novo, que a principio assusta, mas logo fará parte do nosso álbum de família.

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